O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que partilha com alguns outros:o verbo "amar"... o verbo "sonhar"...Com estas palavras o escritor Daniel Pennac inicia o seu texto, no qual discorre sobre a trajetória da formação do leitor, desde a sua primeira infância, passando por sua escolarização até a adolescência.
Expõe com clareza que não são os estímulos do convidativo mundo exterior contemporâneo, que nos cerca e do qual não podemos escapar ao convívio, que se tornam barreiras ao hábito da leitura, tampouco os jogos eletrônicos, a carência de bibliotecas (em especial públicas) ou, mesmo, a televisão. A questão central é bem mais ampla e, ao mesmo tempo, bem mais simples do que tudo isso!
Este livro oferece um conjunto de reflexões sobre o cotidiano, o livro e o ato de ler, escrito com inigualável ternura, típica de quem demonstra grande intimidade com o assunto. O grande segredo nada mais é do que a descoberta do prazer de ler. Afinal, ler é um ato de rebeldia, de fugir, escapar às regras preestabelecidas. Logo, libertador! E isso,via de regra, as crianças adoram...
Um bom livro infantil dever ser um convite para se viver com mais imaginação e liberdade, percorrendo um mundo mágico que levará o seu destinatário (a criança) a uma melhor compreensão de sua realidade. Deve ser lido com os olhos do coração, sem amarras ou preconceitos, enfim, com a mente aberta. Entretanto, pontua que, além do próprio acesso ao livro, são direitos imprescritíveis do leitor:
1. O direito de não ler;
2. O direito de pular páginas;
3. O direito de não terminar um livro;
4. O direito de reler;
5. O direito de ler qualquer coisa;
6. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível);
7. O direito de ler em qualquer lugar;
8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali;
9. O direito de ler em voz alta;
10. O direito de calar.Confesso que, nos últimos tempos, este foi um dos livros cuja leitura me deu mais prazer. Vale muito a pena conferir!